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Nômade digital: quanto dinheiro é preciso para viver viajando?

São mais de 35 milhões de nômades digitais pelo mundo, segundo relatório.

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Nomadismo digital não é uma profissão, mas um estilo de vida. É uma oportunidade de viajar para vários lugares do mundo sem se abdicar da profissão. Um profissional que escolha ser um nômade digital pode desenvolver sua atividade, por exemplo, sentado em uma cafeteria para admirar as paisagens paradisíacas das Ilhas Gregas ou a Torre Eiffel, em Paris. Ser nômade digital é desapegar-se de itens materiais, focar o bem-estar social e ter uma boa conexão de internet para trabalhar.

São mais de 35 milhões de nômades digitais pelo mundo, segundo Relatório Global de Tendências Migratórias 2022 da Fragomen, empresa especializada em serviços de imigração mundial. Antes de adotar esse modelo, porém, é preciso planejar financeira e psicologicamente, desenvolver boa rede de contatos (networking) e, sobretudo, trabalhar naquilo que dá prazer, porque morar no exterior não é para todos.

É o caso do escritor e viajante (como ele se define) Matheus de Souza, autor de “Nômade Digital – Um Guia Para Você Viver e Trabalhar Como e Onde Quiser”, livro finalista do Prêmio Jabuti em 2020 na categoria economia criativa

“Estou nessa vida nômade há cinco anos, desde 2017. Sou formado em Relações Internacionais, mas trabalhei a vida inteira na área de marketing. Percebi que todas as minhas atividades do dia a dia poderiam ser feitas de forma remota. Não precisava ir todos os dias ao escritório, bater ponto e esperar o horário para ir embora”

Matheus Souza, escritor

Souza, que levou quase um ano entre a pesquisa sobre nomadismo e para guardar dinheiro antes de tomar a decisão de ser um nômade digital. Ele já visitou mais de 30 países desde que assumiu o nomadismo.

“Se quisesse viver essa vida, percebi que deveria ter, principalmente, flexibilidade e liberdade. Flexibilidade de agenda para fazer meus horários. E liberdade geográfica, de trabalhar literalmente de onde eu quiser. Tanto numa cidadezinha de Santa Catarina quanto em uma praia paradisíaca da Indonésia”, diz Matheus, natural de Imbituba (SC).

O escritor Matheus de Souza trabalha de forma remota em Bali, na Indonésia. (Foto: Divulgação)

Para Robson Camilo, diretor de projetos e Eventos da Riotur, empresa de turismo do Rio de Janeiro, o nomadismo digital é um “conceito pioneiro e contemporâneo que vem se estabelecendo cada vez mais pelo mundo, por causa da conectividade das novas formas de trabalho”. “É um conceito que surge antes da pandemia de covid-19, mas se consolida nela em virtude do home office e de se procurar lugares ao ar livre.”

O nômade digital vive num país diferente, em média, entre três e seis meses. O interessado em ter esse estilo de vida precisa definir metas e objetivos, além de entender que não se trata de um ano sabático ou de um home office, como trabalhar de casa para evitar o caos do deslocamento nas metrópoles ou o estresse na empresa. O foco é a qualidade para desenvolver seu trabalho em um ambiente mais enriquecedor, cuidar da saúde mental e aprender novas culturas pelo mundo. 

Economista, sociólogo e professor da USP (Universidade de São Paulo), Gilson Schwartz tem uma avaliação distinta sobre o nomadismo digital. Ele critica a ideia de projetar um glamour, uma ilusão de que esse estilo de vida é uma libertação.

“Nômade digital hoje é uma expressão consagrada, mas ela tem um defeito que é, de certa forma como tudo na internet, projetar um glamour, uma ilusão de que aquilo é uma libertação e que só vai trazer bem. Mas tem o lado B, que é justamente o sedentarismo digital ou até a exclusão digital.”

Gilson Schwartz, economista, sociólogo e professor

Um levantamento sobre o volume de buscas em torno do termo “nômade digital” mostra um crescimento substancial em torno da expressão nos últimos três anos, principalmente após o início da pandemia de covid-19, em março de 2020, segundo estudo feito pelo Google a pedido do Pesca Feliz. As principais pesquisaa são: “como ser nômade digital” (+205%), “nômade digital Portugal” (+420%), “visto nômade digital” (+415%) e “nômade digital” (+130%). A análise compreende os primeiros nove meses de 2019 em comparação com o mesmo período de 2022.

Os dados mostram crescente interesse de brasileiros em adotar o nomadismo digital em Portugal, país que apresenta boa infraestrutura de fibra óptica em cidades pequenas e com custo de vida mais baixo. Recentemente, o país europeu modificou as regras de visto para incluir um específico para os nômades digitais (saiba mais abaixo). 

Embora o Brasil tenha sido um dos primeiros países a desenvolver o visto para nômades digitais, o país ainda é pouco procurado em comparação com nações europeias. Para atrair esse público, a Prefeitura do Rio de Janeiro, por exemplo, criou o site Rio Nômades Digitais, que agrega dados de hotéis, hostels e espaços de coworking que oferecem tarifas especiais a esse novo público. 

“Rio de Janeiro é uma cidade diversa, um lugar com boa conectividade e focado no espaço ao ar livre. Ser nômade digital é você poder usufruir de tudo isso. É avaliar o seu trabalho com o seu conforto e lazer, ao seu estilo de vida pessoal”, diz Robson Camilo, da Riotur, ao reforçar que as instituições parceiras do projeto ganham selo para identificar lugares que se enquadram melhor às necessidades dos nômades. 

Confira as principais dúvidas sobre o nomadismo digital. 

O que é ser nômade digital?

Ser nômade digital é trabalhar em qualquer parte do mundo, de forma remota, sem estar em um ambiente tradicional de emprego formal, portando um laptop com acesso a uma internet rápida e estável.

“O nômade digital supõe que é uma coisa só. Mas, de fato, é uma palavra que carrega dentro dela o digital, presente e futuro. Quer dizer, a renovação e a informação digital. Uma dimensão que aponta para frente”, diz o economista e sociólogo da USP Gilson Schwartz.

“Mas a palavra nômade, tirando o digital, é preciso ser um pouco mais cuidadoso. Porque não é um fenômeno recente. É um fenômeno que acompanha o ser humano desde o período do Neolítico, pelo menos, o nomadismo. Portanto, o nomadismo está associado a relação do ser humano com o seu corpo, em movimento, e é algo muito antigo que contribui para a sua sobrevivência”, complementa. 

Schwartz explica que nomadismo digital hoje é acentuado, porque “acelera algumas disposições para própria sobrevivência em que a mobilidade é fundamental”, mas também amplia doenças e desenvolve o sedentarismo digital.

“Tem gente que se movimenta quando faz home office, mas há casos em que a pessoa fica o dia inteiro sentada, trabalhando por 12 horas, até 16. Mora em Ilhabela [litoral norte paulista], trabalha para um escritório em Tóquio [Japão], mas passa longas horas trabalhando e comendo batata frita com refrigerante. Sofre infarto, tem diabete ou obesidade.”

A leitura sobre o entendimento do que é ser nômade digital para o professor da USP está relacionada à raiz do termo nômade no tocante à questão da mobilidade aliada ao avanço tecnológico. “O nomadismo digital, sem dúvida, ganha uma ênfase muito grande hoje por conta, principalmente, da mobilidade das interfaces tanto do ponto de vista de quem carrega o celular quanto de quem transita pelos espaços, ao ser capturado não só por câmeras, espalhadas em todas as cidades e lugares do mundo, mas pelo próprio celular, que vai rastreando. A sua mobilidade é aparente.”

Schwartz associa o nômade digital ao empreendedorismo. “O empreendedor é um cara em movimento. É um nômade digital, porque o digital permite a redução de custos, a mudar de profissão e até de personagem – o nomadismo identitário. Muita gente que achava ser uma coisa e, depois, faz o avatar da sua página no Facebook, por exemplo, a aparecer de outra forma para mostrar todos os lugares em que passou, com fotos na praia.”

“Você poder ser muito beneficiado, prejudicado e, principalmente, autoprejudicado, porque o nomadismo tem um lado glamoroso, inovador, e, às vezes, até rebelde. Tem toda uma tecnologia para você ser um nômade digital no sentido mais extremo, ou seja, você se movimentar entre metaversos ou multiversos”, acrescenta.

Como viver sendo nômade digital?

O nomadismo digital requer flexibilidade de horários no trabalho, com o objetivo de obter mais qualidade de vida e administração do tempo (criar uma rotina). Ao escolher esse estilo de vida, o indivíduo pode trabalhar de casa, ao ar livre, em um coworking, enfim, em qualquer lugar, desde que consiga desenvolver bem sua atividade profissional. Para quem tem dúvida se terá disciplina para desenvolver seu trabalho de forma mais produtiva nesse estilo de vida, o ideal é realizar uma experiência de trabalho remoto ou freelancer em outra cidade no território nacional.

“É importante dizer que adotei esse estilo de vida, mas que eu sigo trabalhando remoto. Muito gente confunde. Fui para a Tailândia, ‘você procurou emprego lá?’, não. Meus clientes estão no Brasil, ganho em real e o dinheiro gasto nas viagens é o que eu ganho ali por mês, do meu salário”, explica Matheus de Souza.

O escritor afirma que hoje tem uma reserva financeira mais robusta que na época em que adotou o nomadismo digital, pois tem diversificado suas fontes de renda, como oferecer cursos online e com a venda de seu livro. O redator de marketing conta que o destino define o modo de vida como nômade digital e a necessidade de poupar mais. 

“Na Indonésia, vivia como rei. Você consegue apartamentos, cabanas ou bangalôs à beira da praia com boa estrutura e pagando R$ 2 mil por mês. Com esse valor, onde você consegue morar em São Paulo?”, questiona. “Às vezes, as pessoas não entendem de que há gastos, mas eles são muito mais elevados no Brasil que na Indonésia, na Malásia, mesmo ganhando em real. Nos últimos anos, tenho dado preferência a países com custo de vida baixo, de moeda desvalorizada.”

Quais são as vantagens de ser um nômade digital?

Nômade digital (Foto: Peggy und Marco Lachmann-Anke/Pixabay)
Nômade digital (Foto: Peggy und Marco Lachmann-Anke/Pixabay)

O nomadismo digital tem algumas vantagens, como desenvolver atividades com mais qualidade e criatividade, aprender novas culturas, além de viajar por várias partes do mundo. A ideia não é ser um turismólogo em tempo integral, mas usufruir da tecnologia para equilibrar o desenvolvimento da carreira com sua vida pessoal. 

“Em vez de ter o boleto tradicional para pagar o meu aluguel, pago meu Airbnb em um lugar paradisíaco. Como viajo bastante, tenho economizado até na compra das passagens ao substituir por milhas”, diz Souza ao destacar uma das vantagens em adotar o nomadismo.

“É ter liberdade geográfica, de ter controle sobre a minha agenda e, principalmente, de ter um equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal e não esperar as férias da empresa para viajar. Cortei às sextas-feiras do meu expediente e trabalho, em média, de seis a seis horas e meia. Quando termino de trabalhar, aproveito para conhecer a cidade em vez de ver Netflix.”

Quais as dificuldades em ser nômade digital?

Há pessoas com uma vida toda definida em sua cidade natal, com casa própria, carros e investimentos no Brasil. Ao avaliar adotar uma vida de nômade digital, o primeiro passo é definir o que será feito com esses bens: vai alugar ou vender? Isso é importante para saber se terá que pagar impostos ou se precisará de um contador. 

A vida nômade não é tão barata assim. O nomadismo digital tem muitos imprevistos, gastos com passagens, seguros, alimentação e hospedagens. O custo de vida, portanto, está atrelado à qualidade de conforto e ao país em que deseja morar, além de ter bom pacote de internet, que pode ser determinante ao definir o destino.

“Tenho um orçamento de viagem e estabeleço um teto para me hospedar de, no máximo, R$ 2.500, independentemente de onde esteja. Às vezes é mais, às vezes é menos. Geralmente é menos, porque viajo muito para países do Sudeste Asiático. No começo, gastava menos e passava perrengues para manter esse estilo de vida. Era o que eu ganhava com os meus frilas para pagar as contas, mas nunca mexi na reserva. Hoje, busco lugares mais confortáveis”, diz o escritor Matheus de Souza. 

Um ponto a se reconsiderar ao aderir o nomadismo é a afetividade, ficar longe da família e dos amigos. Além disso, a depender da atividade profissional, o nômade pode ter problema com o fuso horário e conexão da internet. São fatores que devem ser considerados. 

Quanto de dinheiro é necessário para ser um nômade digital?

Não existe uma quantia exata necessária para se tornar um nômade digital. “Vai depender um pouco do país em que você pretende se hospedar. Tirando os países onde a moeda é o euro ou dólar, uma pessoa consegue viver bem, de forma confortável, entre R$ 4 mil e R$ 5 mil”, diz escritor Matheus de Souza.

É importante fazer um planejamento financeiro e economizar dinheiro com antecedência para poder ter uma estabilidade financeira no início do nomadismo. Também é indicado se programar antes de pedir demissão do emprego formal (caso não consiga aliar o novo estilo à empresa).

“Fiz um planejamento financeiro para me demitir e guardei uns seis meses do meu antigo salário. Se a gente joga nômades digitais no Google, vai achar um monte de foto de millennials, com MacBook caro na beira da praia, literalmente na areia, e reportagens: ‘Fulano largou tudo’. Não larguei tudo! Eu me planejei. Não trabalho com computador caro, na beira da praia e com a luz do sol na tela”, diz Souza.

“Eu me demiti, intensifiquei meus serviços de redator freelancer até tornar em tempo integral. Assim me sustentei por um bom tempo até fazer minha primeira viagem como nômade, em 2017, para o México. Quando voltei, percebi que daria para viver como nômade digital, sem ficar voltando”, acrescenta.

Há também um processo burocrático que precisa ser resolvido, como encerrar contrato de aluguel, alugar ou até vender uma propriedade, cancelar assinaturas de TV e jornais, definir o que fará com itens pessoais e contas bancárias. Estar com passaporte válido, contratar um seguro viagem, verificar se há necessidade de visto e quais são as vacinas obrigatórias para entrar no país.   

Souza classifica essa fase como de desapego. “Começa uma segunda fase desse nomadismo, que era justamente o desapego, tanto do apartamento quanto de bens materiais. Desde a virada de 2017 para 2018, eu literalmente não tenho residência fixa. Isso é um horror, por exemplo, quando me pedem comprovante de endereço. Aí tenho que pedir para minha mãe”, diz o escritor, aos risos. 

Uma das barreiras para o brasileiro pode ser a língua. Embora países lusófonos, como Portugal, já tenham regras para visto para nômade digital, o que facilitaria o início desse novo estilo de vida, o nomadismo parte do princípio de o indivíduo ter a oportunidade de viajar para vários países. Nesse cenário, é preciso saber se comunicar em um segundo idioma

O destino e, em consequência, a hospedagem são outros critérios que devem ser considerados na transição. É preciso avaliar o custo de vida e o impacto no orçamento, além de diversificar a fonte de renda para evitar imprevistos. As estimativas de custo permitem decisões mais eficientes quando se trata de mobilidade global. 

Em junho de 2022, a empresa de recursos humanos ECA Internacional divulgou um ranking das cidades com os custos de vida mais caros. A pesquisa classificou um total de 207 cidades em 120 países. Hong Kong é a cidade mais cara do mundo pelo segundo ano consecutivo, segundo o levantamento da instituição. Veja abaixo:

Dez cidades mais caras para se viver *

 CidadePosição em 2022Posição em 2021
Hong Kong11
Nova York (EUA)24
Genebra (Suiça)33
Londres (Inglaterra)45
Tóquio (Japão)52
Tel Aviv (Israel)67
Zurique (Suiça)76
Xangai (China)89
Cantão (China)910
Seul (Coreia do Sul)108

* Fonte: Fonte: ECA International

Quanto ganha nômade digital?

Não há uma quantia fixa, pois nomadismo digital não é uma profissão, mas, sim, um estilo de vida. O nômade já tem uma carreira e seu rendimento estará atrelado a essa atividade profissional. “O retorno financeiro e mesmo o nível de remuneração dependem de fatores sociais, econômicos e, inclusive, legais e regulatórios. Não é a condição de nômade digital que vai de dar o retorno financeiro”, afirma Gilson Schwartz, da USP.

Quais as profissões para quem quer ser um nômade digital?

Há várias profissões que se enquadram no nomadismo digital, como consultoria, marketing digital, fotógrafo, tradutor, professor de idioma, programador, agente do mercado financeiro, jornalista, designer, headhunter, editor de vídeos, influenciador digital, voluntariado e àquelas ligadas à área de tecnologia. 

“Na realidade, qualquer profissão pode ser enquadrada nesse termo, nessa terminologia, graças à internet que possibilita à distância você realizar diversas atividades, inclusive operação, como a telemedicina”, diz Schwartz.

Preciso ter visto de nômade digital?

Por ser um visto relativamente novo, não é necessariamente obrigatório. A ideia do nomadismo digital é transitar por várias países, com tempo de permanência menor. Muitos nômades digitais utilizam o visto de turista. O número de países que criaram o visto de nômade digital tem crescido nesse período de crise sanitária.

“Sempre viajo com visto de turista. Não é crime nenhum, porque eu tenho como me manter nos países e não estou trabalhando para nenhuma empresa estrangeira. Nunca pedi nenhum visto de nômade digital. É engraçado ter um visto para nômade digital, porque a ideia é justamente você conseguir se deslocar e movimentar”, diz o escritor Matheus de Souza.

Além de Portugal, mais de 30 países já tem visto para nômades digitais. Entre eles Argentina, Aruba, Colômbia, Croácia, Chipre, Emirados Árabes Unidos, Grécia, Islândia, Malásia, Malta, Panamá, Tailândia e Uruguai.

Espanha, Indonésia, Itália e República Tcheca estão em processo para aprovação de regras para o visto. 

Como tirar o visto para ser nômade digital em Portugal?

Portugal. (Foto: Frank Nürnberger/Pixabay)

Em 2022, o governo de Portugal modificou as regras de visto para trabalhar no país, em especial, um visto específico para os nômades digitais. Nesse modalidade, os brasileiros interessados devem comprovar vínculo laboral fora de Portugal e residência fiscal no Brasil, além de rendimentos mensais de ao menos quatro vezes o salário mínimo português (hoje de 705 euros, ou cerca de R$ 3.844), nos últimos três meses antes da solicitação do pedido. 

Para solicitar o visto, é preciso fazer inscrição prévia no site do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e no site da VSF, empresa terceirizada que processa os pedidos. A autorização do visto custa R$ 527,15 e tem validade de até um ano, com possibilidade de prorrogação.

É importante ressaltar que houve uma alteração na Lei de Estrangeiros em Portugal de cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que agiliza a emissão de vistos para brasileiros, já que não precisa mais da aprovação prévia do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) agilizando a emissão de vistos.

Quem é imigrante pode ter visto de nômade digital no Brasil?

No Brasil, o Ministério da Justiça já emitiu 161 vistos temporários e autorizações de residência para nômades digitais no primeiro semestre de 2022, segundo um levantamento feito pela pasta a pedido do Pesca Feliz.

De acordo com o órgão, o número é a soma entre as autorizações de residência concedidas por meio do Sistema Migranteweb, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), e os vistos temporários emitidos nas embaixadas ou consulados, sob responsabilidade do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

“Se o imigrante já estiver no Brasil, o nômade digital pode pedir diretamente autorização de residência sem sair do território brasileiro. Nesse caso, o imigrante deve solicitar autorização de residência no Sistema Migranteweb, da Coordenação-Geral de Imigração Laboral do MJSP”, diz o ministério. Após a validação da documentação, o imigrante tem prazo de 30 dias para solicitar o registro da autorização de residência em uma unidade da Polícia Federal. 

Se o imigrante não estiver no Brasil, segundo o órgão, o pedido de visto temporário deve ser realizado nas embaixadas ou consulados brasileiros no exterior. O nômade deve apresentar documentação necessária, conforme descrito nos informativos publicados pelo MJSP. Após a aprovação do visto temporário, o imigrante deverá solicitar o registro e a emissão da Carteira de Registro Nacional Migratório (CRNM) em qualquer unidade da PF no prazo de 90 dias após a chegada no país.

Ainda segunda a pasta, a duração do visto para nômade digital é de até um ano, prorrogável por igual período, segundo a Resolução CNIg no 45/2021. Para estadas de até 90 dias, o nômade digital poderá ingressar no país na condição de visitante (turista), “devendo atender os requisitos adequados à sua condição migratória de acordo com sua nacionalidade”. O nômade digital tem todos os direitos de um cidadão brasileiro garantidos pela Legislação.

Quais documentos para obter autorização de moradia temporária no Brasil?

O Ministério da Justiça explica que, para solicitar o visto/autorização de residência, o imigrante deverá comprovar sua condição de nômade digital. São necessários declaração do requerente que ateste a capacidade de executar suas atividades laborais de forma remota; contrato de trabalho ou de prestação de serviços ou outros documentos que comprovem o vínculo com empregador estrangeiro e comprovante de renda mínima igual ou superior a US$ 1.500 (cerca de R$ 7.981) por mês ou disponibilidade de fundos bancários no valor mínimo de US$ 18 mil (cerca de R$ 95.772). 

Além de comprovar a condição de nômade digital, o Ministério explica que o estrangeiro deve apresentar documentos de identificação e processuais. O nômade deve “comprovar vínculo com empregador estrangeiro, por meio de contrato de trabalho ou de prestação de serviços, ou outros documentos que comprovem o vínculo com empregador estrangeiro”, e pagar a Guia de Recolhimento da União (GRU), da taxa de processamento e avaliação de pedidos de autorização de residência com o respectivo comprovante de pagamento. 

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Este conteúdo é de cunho jornalístico e informativo e não deve ser considerado como oferta, recomendação ou orientação de compra ou venda de ativos.

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