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Parlamentares britânicos pedem rejeição da listagem da JBS em NY

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Um grupo de parlamentares do Reino Unido planeja pressionar a SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA, para bloquear a listagem da JBS na bolsa de Nova York, sob a alegação de que isso ameaçaria os esforços para reverter as mudanças climáticas.

A JBS “tem um histórico bem documentado de envolvimento em desmatamento, violação de direitos humanos e confisco de terras de comunidades indígenas”, de acordo com o rascunho de uma carta assinada por 12 parlamentares que deve ser entregue na quarta-feira ao presidente da SEC, Gary Gensler. “As práticas da empresa representam uma ameaça significativa ao ecossistema para a regulação climática global e a conservação da biodiversidade.”

A empresa brasileira busca a listagem nos EUA há mais de uma década, na esteira da forte expansão que a tornou uma gigante global. Com operações do Colorado à Nova Zelândia, a empresa é a maior produtora de carne bovina e de frango, a segunda maior fornecedora de carne suína e a número 1 de refeições prontas no Reino Unido. As operações baseadas nos EUA geraram quase metade da receita da JBS em 2022.

A JBS não respondeu imediatamente a pedido de comentário sobre a carta.

Antes da listagem de uma empresa na bolsa americana, os advogados da SEC normalmente analisam o prospecto da empresa. De acordo com a lei de valores mobiliários, o regulador não é responsável por avaliar os modelos de negócios ou o impacto social das atividades da companhia. A SEC, no entanto, propôs novas regras que obrigariam as empresas a divulgar mais sobre os efeitos ambientais de suas práticas.

A JBS tem dito que vê a listagem nos EUA como fundamental para acessar um grupo mais amplo de investidores institucionais. Em apresentações recentes, destacou o potencial de redução dos custos de capital e de valorização da ação em relação aos rivais americanos, como a Tyson Foods. Há potencial para quase triplicar o valor de mercado da empresa, para quase US$ 30 bilhões, disseram executivos.

Era esperado que a companhia enfrentasse um maior escrutínio dos investidores em relação à governança corporativa, bem como ao seu impacto nas mudanças climáticas. O desmatamento da Amazônia, que tem sido associado à criação de gado, é um dos principais contribuintes para os gases de efeito estufa e já houve ocasiões em que a JBS falhou em seu compromisso de não comprar gado de áreas desmatadas.

A empresa definiu 2025 como prazo para eliminar o desmatamento de seu fornecimento de gado na Amazônia e no Cerrado e, durante a COP28, anunciou sua participação em um programa lançado pelo estado do Pará para atingir a rastreabilidade total do gado na região até 2026, utilizando chips em bezerros desde o nascimento.

“Quem valoriza a importância de proteger o nosso planeta deve perceber que permitir o IPO da JBS envia uma mensagem totalmente errada”, disse Zac Goldsmith de Richmond Park, ex-ministro da Energia, Clima e Meio Ambiente, e que foi um dos signatários da carta. “Nosso foco deve ser responsabilizar essas entidades, e não facilitar seus ganhos financeiros.”

Os representantes da SEC não responderam imediatamente a um pedido enviado por e-mail para comentar a carta.

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